



COMA… apresenta-nos um conjunto de imagens geradas por pequenos acontecimentos provocados por João em seu galpão, nos quais ele ousa por em risco a relação olho, a relação pele, a relação intestino. São cenas que não podem ser repetidas e que a câmera fotográfica ou de vídeo registraram. Utilizando a água como veículo e matérias orgânicas como agentes cria um universo particular, rico em texturas, movimentos, mistérios e ludicidade. A produção da maior parte dos vídeos possui a mesma vibração e inventividade das brincadeiras infantis. Quem não construiu em seu quintal um planeta alienígena, um campo de batalha, um canteiro de obras? Essas liberdades infantis de brincar, mentir, inventar nos são tiradas na medida em que nos tornamos adultos sérios, economicamente produtivos. Talvez a arte seja um dos poucos ofícios que permite que o adulto brinque, construa seus brinquedos, faça algo economicamente inútil… desde que o interesse do artista não seja apenas vender obras.
E se a força do real manifesta-se na arte sob vorazes borrões, paisagens ruidosas, misturas febris e tempestuosas, COMA… é também um delírio insistentemente corrosivo, híbrido e coletivo.
--
Posted by lanussi to sobreacidade at 1/03/2006 09:52:29 AM
Nenhum comentário:
Postar um comentário